Self-soother e signaler: todo bebê acorda, a diferença é o que vem depois

A frase "ele dorme a noite toda" engana muita gente, inclusive quem a diz. Entender por quê muda a meta do que vocês estão buscando.

O que a câmera mostrou

Em 1979, o pesquisador Thomas Anders filmou bebês dormindo durante a noite inteira. O resultado contrariou o senso comum: praticamente todos os bebês acordam várias vezes por noite, incluindo aqueles cujos pais afirmam que dormem sem interrupção. Acordar entre ciclos é universal. Ninguém dorme oito horas seguidas sem despertar, nem adulto, nem bebê.

A diferença que separa as noites tranquilas das difíceis não está em acordar. Está no que o bebê faz quando acorda.

Dois tipos de bebê acordado

Alguns bebês, ao acordar entre ciclos, se reorganizam e voltam a dormir sozinhos, em silêncio. São chamados de self-soothers, algo como os que se reconfortam sozinhos. Os pais nem percebem que houve despertar, e por isso dizem que o bebê dorme a noite toda.

Outros acordam e sinalizam: choram, chamam, precisam de alguém para voltar a dormir. São os signalers, os que sinalizam. O bebê não está fazendo nada errado. Ele só ainda não tem como voltar sozinho, porque depende de uma condição que só vocês recriam.

A meta, reescrita

Aqui está a virada que importa. A meta do método não é fazer o bebê parar de acordar. Isso não é possível, e nem seria bom, como explica a peça sobre o microdespertar ser proteção. A meta é ajudar o bebê a se tornar capaz de voltar a dormir sozinho. Sair de signaler para self-soother.

E como o bebê faz essa passagem? Pela condição em que adormece. Um bebê que adormece sozinho no próprio espaço reencontra essa cena ao acordar e consegue se reorganizar. É por isso que a peça sobre associação de adormecimento e a técnica de colocar sonolento mas acordado são o caminho. Elas não diminuem os despertares. Elas dão ao bebê a chance de atravessá-los sozinho.

A meta, reescrita

Antes: "fazer ele dormir a noite toda." Depois: "ajudar ele a voltar a dormir sozinho quando acordar." A primeira é impossível e gera frustração. A segunda é alcançável e é o que o método trabalha. A pergunta certa não é quantas vezes ele acorda. É o que ele faz quando acorda.

Fontes